e aquele instante em que você percebe que "chega!" pode significar "basta!", tanto quanto pode significar "vem"?
- amor? chega!
- amor? chega!
- amor? chega!
- amor? chega!
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a vila do faz de conta
recorte na linha pontilhada
30 de abril de 2012
15 de outubro de 2010

quando eu era pequena
as meninas bonitas faziam balé.
as meninas feias que faziam balé
eram bonitas.
as meninas feias que não se importavam
não faziam coisa alguma.
as meninas feias que queriam ser alguma coisa
faziam piano.
as meninas bonitas de quando eu era pequena
não viraram bailarinas: cresceram, engordaram, casaram.
as meninas feias que não se importavam quando eu era pequena
nunca mais vi.
as meninas feias que faziam piano
também ouviram canto, estudaram livros e hoje escrevem poemas.
como esse.
quando eu era pequena,
porque era grande,
não queria ser bailarina.
eu queria mesmo era ser poeta.
as meninas bonitas faziam balé.
as meninas feias que faziam balé
eram bonitas.
as meninas feias que não se importavam
não faziam coisa alguma.
as meninas feias que queriam ser alguma coisa
faziam piano.
as meninas bonitas de quando eu era pequena
não viraram bailarinas: cresceram, engordaram, casaram.
as meninas feias que não se importavam quando eu era pequena
nunca mais vi.
as meninas feias que faziam piano
também ouviram canto, estudaram livros e hoje escrevem poemas.
como esse.
quando eu era pequena,
porque era grande,
não queria ser bailarina.
eu queria mesmo era ser poeta.
19 de janeiro de 2010
pétalas em minha cama,
e uma rosa que você roubou.
tenho coisas em minha cabeça,
dúvidas em minha boca,
e um beijo morno que você tomou.
eu mudo muito meu cabelo,
troco às vezes meus discursos,
e de repente não sei mais quem sou.
mas me sinto tão mais bonita,
me torno até mais livre,
e estou aonde quer que eu vou.
27 de agosto de 2009

faz assim... faz que meu coração é casa.
sala de estar é para quem vem e está.
está agora, amanhã: talvez.
banho e cozinha ainda não resolvi,
mas espaço tem.
sei que tem gente sentada,
gente sendo lavada,
sendo digerida ,
gente congelada,
gente cagada.
pronto, falei!
tem quarto com cama e do lado um colchão.
colchão que, faz de conta,
é pedaço reservado de coração,
dentro de coração.
e fica assim então:
mesmo que você vá,
se esqueça,
fique longe,
tenha que partir,
eu não tiro ele dalí.
e de quando em vez você pode vir
e descansar do meu lado no canto sempre teu:
no colchão do meu coração.
diálogo
- você tem aí meia dúzias de boas palavras. bem arranjadas dão caldo.
- acha que devo fazer alguma coisa com elas? - uma sopa, talvez... sopa de letrinhas dizem, não?
- mas para comer? palavra é melhor pra vomitar.
- vomitar, comer... apenas uma questão vetorial.
- como???
- não, não coma. desse modo elas nunca sairão de você.
- acha que devo fazer alguma coisa com elas? - uma sopa, talvez... sopa de letrinhas dizem, não?
- mas para comer? palavra é melhor pra vomitar.
- vomitar, comer... apenas uma questão vetorial.
- como???
- não, não coma. desse modo elas nunca sairão de você.
28 de julho de 2009
respostinhas curtas para um fim de semana tão curto quanto...
1. não, eu não sou eclética, apenas mudo muito de opinião.
2. eu não sei... você escreve uma coisa, mas seu corpo dança outra.
3. não me incomodam os anos, eles são mudos e discretos. as rugas é que reclamam!
2. eu não sei... você escreve uma coisa, mas seu corpo dança outra.
3. não me incomodam os anos, eles são mudos e discretos. as rugas é que reclamam!
27 de julho de 2009
domingo de manhã, uma cama grande, uma amiga, uma gata preta e branca, alguma dor de cabeça, alguns remorsos, um dilema: quem vai comprar o frango assado?
domingo quase almoço, algumas irritações, algumas penas (como as do travesseiro), algumas risadas, uma solução: ouvir a caixinha de música em silêncio.
domingo já noite, uma pizza, outra amiga, algumas constatações, outras várias tão piores, papo a três, casa limpa e uma conclusão: nem sempre é bom estar certa.
domingo quase almoço, algumas irritações, algumas penas (como as do travesseiro), algumas risadas, uma solução: ouvir a caixinha de música em silêncio.
domingo já noite, uma pizza, outra amiga, algumas constatações, outras várias tão piores, papo a três, casa limpa e uma conclusão: nem sempre é bom estar certa.
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